

São Paulo, San Pablo ou Saint Paul?
Em
aulas de língua estrangeira, muitos alunos possuem a dúvida,
principalmente nas aulas iniciais, de como dizer o nome da cidade em que
nasceu. Se a dúvida for de ordem fonética, o melhor é dizer o nome da
cidade na forma em que é pronunciada na língua materna; mas outra dúvida
surge: é possível traduzir o nome de uma cidade, seja em
espanhol ou em
inglês?
Na verdade não há um consenso sobre este tema. Porém, podemos elencar
três possibilidades, conforme os casos conhecidos. A primeira delas é o
uso de uma forma traduzida que se tornou popular por conta da
dificuldade de se pronunciar o nome da cidade original. Esse é o caso de
cidades como
Kraków, traduzida como
Cracóvia em português e
Cracovia em espanhol, que em inglês permanece na forma original; de
London, traduzida como
Londres em português e em espanhol, e como
Londra em italiano; de
Wien, traduzida como
Viena em português e em espanhol, e como
Vienna em inglês.
Em segundo lugar, há a ocorrência de duas formas, uso esse mais comum
em espanhol e em português europeu, pois a proximidade faz com que haja
a forma mais tradicional (traduzida) e a forma original. O uso da forma
original pode ser considerado um fenômeno atual, proporcionado por
conta da rapidez de circulação e do intercâmbio que temos atualmente,
seja por turismo ou virtualmente (Internet). Ademais, a forma original é
usada em traduções feitas às pressas por jornais e agências de
notícias, que às vezes não tomam o cuidado de utilizar a forma mais
tradicional.


Havana, capital de Cuba - em espanhol,
La Habana
Dessa forma é possível que haja, em espanhol, duas formas para
Bordeaux –
Burdeos, em espanhol,
Bordéus em português de Portugal, sendo que no Brasil utilizamos a forma francesa. Entretanto, com a cidade italiana de
Padova ocorre a presença tanto da forma original em italiano, como a sua tradução
Padua, em espanhol; ou
Pádua, em português. Exemplo semelhante é o da cidade sueca de
Göteborg, traduzida em português e em espanhol como
Gotemburgo, mas ambas as formas são frequentes em jornais e sites de Internet.
A terceira possibilidade é a existência de nomes que existiram historicamente, mas que hoje não são mais usados. É o caso de
Bremen, cuja forma original é a aceita, apesar de haver existido a forma traduzida do espanhol, que era
Brema. A tradução de
Nürnberg, cidade alemã, cuja forma em espanhol e em português atualmente é
Nuremberg, antigamente possuía uma forma mais distante,
Nuremberga, hoje praticamente não usada.
Tradicionalmente, essa variação também ocorre na América Latina. As cidades brasileiras de
Salvador, São Paulo e Manaus são traduzidas para o espanhol como
Salvador de Bahía, San Pablo (mais comum na Argentina) e
Manaos; esse fenômeno também ocorre com a capital de Cuba,
La Habana, traduzida para o português como
Havana, e
Assunción, capital de Paraguai, traduzida para o português como
Assunção.

Salvador de Bahía: nome traduzido para o espanhol da cidade de Salvador, capital da Bahia
Porém, nos casos acima, a tradução ocorreu em favor de uma forma mais fácil de ser pronunciada; em casos como o de
Buenos Aires, por exemplo, a tradução soaria mais estranha que o nome original,
Bons Ares.
Essa foi a opção para vários nomes de localidades americanas, que
antigamente pertenciam ao território mexicano – manteve-se a forma
original em favor de sua tradução em inglês. Nomes como
Florida, Montana, Colorado, Nevada, Las Vegas e
Los Angeles (todos em espanhol) seriam traduzidas para o inglês como
Flowered, Mountain, Red Coloured, Snowed, The fertile valleys e
The Angels.
Manter a forma original foi também uma maneira de manter a referência
histórica e cultural que esses nomes já possuíam – e que a tradução
poderia apagar.