sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A Rainha da TV Brasileira - Hebe Camargo

Conheça um pouco da trajetória da grande artista que encantou o público durante mais de 70 anos.

Durante  os últimos 60 anos tivemos presente em nosso cotidiano a televisão, que ditou modas passageiras, gostos e até mesmo interveio na forma como nos relacionamos com nossa nacionalidade. Uma das participantes ativas desse processo foi a apresentadora Hebe Camargo, falecida no último dia 29 de setembro.
Além de apresentadora, Hebe também foi atriz e cantora. Iniciou sua carreira na década de 1940, participando do quarteto vocal Dó, Ré, Mi, Fá, formado por ela, sua irmã Estela e duas primas. O quarteto fez sucesso, mas durou somente três anos. Depois, formou a dupla Rosalinda e Florisbela com grandes sucessos. 

Imagem À direita da foto, em pé, a dupla sertaneja Tonico e Tinoco e Rosalinda (Hebe Camargo) e Florisbela
A apresentadora do primeiro programa feminino do Brasil fez também carreira solo a partir de 1959 (em pleno início da bossa nova), com o LP Hebe e vocês. Desistiu de sua carreira como cantora para dedicar-se ao trabalho de apresentadora e daí em diante nunca mais deixou de fazer parte do cotidiano do povo brasileiro.
Ao longo dos seus 83 anos de vida, participou ativamente dos lares e da rotina de vários brasileiros. Deixa agora nosso presente para tornar-se mais um capítulo na história da sociedade e da cultura brasileira.

ImagemHebe Camargo

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Barcelona e Real Madrid: um clássico da política



Engajaga, torcida catalã transforma partida de futebol em apelo por liberdade.

Quando se fala de futebol, os jogos entre os espanhóis Barcelona e Real Madrid costumam ser considerados o maior clássico entre times de todo o mundo. Além de uma rivalidade ímpar, as disputas entre essas equipes reúnem alguns dos melhores jogadores do planeta, incluindo estrelas como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Kaká, Xavi, Iniesta, Xabi Alonso, Casillas, Daniel Alves, Fábregas, Marcelo, Özil e Benzema, dente tantos outros.

Toda essa constelação desfilou pelo gramado do Camp Nou, estádio do Barcelona, no primeiro domingo de outubro, dia 7, em mais uma disputa envolvendo as duas equipes. Como de costume, a imprensa esportiva do mundo todo cobria o evento, assistido de perto pelas quase 100 mil pessoas presentes ao estádio. O primeiro dos quatro gols da partida saiu aos 22 minutos do primeiro tempo. Pouco antes disso, aos exatos 17 minutos e 14 segundos, a torcida local explodiu em uníssono uma série de gritos de ordem enquanto agitava incontáveis bandeiras com listras vermelhas e amarelas espalhadas pela arquibancada. A manifestação não tinha muito a ver com o que ocorria dentro de campo. Tratava-se de política. Grande parte dos presentes gritava pela independência da Catalunha em relação à Espanha.

Com uma população estimada em mais de sete milhões de pessoas, a Catalunha é uma região de 32 mil km² situada no nordeste da Espanha. No ano de 1714, a região era um Estado próprio, como, por exemplo, é o Brasil nos dias de hoje. No entanto, após ter sido derrotada pelas tropas do rei Filipe V, a Catalunha foi anexada ao território espanhol, permanecendo assim desde então. Porém, mesmo com a perda da autonomia política, a comunidade manteve viva uma série de tradições e elementos culturais, especialmente o idioma catalão, que, ao lado do espanhol, é uma das línguas oficiais da região até os dias de hoje. A manutenção dessa identidade cultural traz consigo o anseio pela restituição da independência política da região. A Catalunha quer se tornar um Estado, ao nível, portanto, da própria Espanha. Nem mais. Nem menos.

Para a maioria dos catalães, o Barcelona, clube da capital da região, não é apenas uma equipe. Seus torcedores costumam descrevê-lo como “Més que un club”, isto é, “mais que um clube”. Para muita gente, o Barcelona é símbolo de uma nação, a catalã
A impressionante manifestação dos torcedores barcelonistas nas arquibancadas do Camp Nou tem tudo a ver com essa história. A escolha dos 17 minutos e 14 segundos não foi por acaso. Tratou-se de uma referência ao ano da perda de independência da Catalunha para a Espanha. E mais: para a maioria dos catalães, o Barcelona, clube da capital da região, não é apenas uma equipe. Seus torcedores costumam descrevê-lo como “Més que un club”, isto é, “mais que um clube”. Para muita gente, o Barcelona é símbolo de uma nação, a catalã.

Desse anseio por liberdade, salta aos olhos que Estado e nação têm significados diferentes. A palavra “nação” designa a reunião de pessoas em um povo, geralmente da mesma etnia, falando o mesmo idioma e sendo dotadas de características culturais semelhantes, como hábitos, religião e consciência nacional, por exemplo. Destaque-se a importância do sentimento de nacionalidade, segundo o qual as pessoas se sentem constituindo um mesmo organismo, com identidade própria, interesses especiais e necessidades peculiares, ainda que não possuam uma organização legal própria. Assim, uma nação pode ser fracionada entre vários Estados (ou países), casos, por exemplo, dos judeus e dos ciganos, ou dos próprios catalães. O clássico da política entre Barcelona e Real Madrid serve para ilustrar essa distinção. Enquanto que, para muitos, o Barcelona representa a nação catalã, para tantos outros, o time da capital (Madri) representa o Estado espanhol.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Batalha: água ou isotônico?

Imagem A hidratação é importante na prática de atividades físicas
Descubra como a escolha entre eles pode fazer diferença na atividade física.
A importância da hidratação antes, durante e depois da atividade física é algo sempre aconselhado, tendo em vista a perda de líquidos corporais durante o exercício. No primeiro caso, hidratar-se antes significa possibilitar ao corpo a hidratação adequada para o início da atividade física, a fim de que haja uma reserva adequada de líquidos. Assim, para o momento que precede a atividade física, apenas beber água é suficiente, pois nossa perda de outros substratos, como glicose (nossa reserva de energia) e sais minerais (que perdemos pelo suor durante a atividade física) ainda não ocorreram. Desta maneira, a ingestão de isotônico antes, portanto, é desaconselhável, uma vez que essas bebidas possuem em sua formulação a presença de 4% a 8% de açúcares (além da glicose, possuem a frutose e a sacarose) e eletrólitos/sais minerais (sódio, potássio e cloreto), que devem ser repostos e não ingeridos antes das perdas ocasionadas pela atividade física.

Imagem A água de coco verde pode auxiliar na reposição de sais minerais
Durante e após a atividade física, a escolha dos isotônicos – que recebem este nome por possuírem fórmula muito semelhante à dos líquidos corporais – é relativa. Se o exercício realizado for breve, não há necessidade de que mais açúcares e eletrólitos sejam repostos. Entretanto, em atividades de duração de 30 minutos ou mais, a ingestão dessa bebida pode ser importante, para repor as perdas que citamos acima. Vale lembrar que a água do coco verde pode ser considerada um líquido capaz de repor sais minerais, à semelhança aos isotônicos, e ainda possuindo menos açúcares.

É preciso compreender que os isotônicos não são como sucos, que podem ser ingeridos de forma livre. A ingestão excessiva de açúcares e sais minerais em momentos inoportunos pode ser mais prejudicial do que benéfico à saúde. Isotônicos devem ser ingeridos de forma orientada, de acordo com o tipo de atividade física realizada – ao contrário da água, que sempre fará seu papel de hidratação.

Tupi, a primeira TV do Brasil

Imagem Foto de Assis Chateaubriand, fundador da TV Tupi
É bastante comum atualmente o discurso de que a televisão tem perdido espaço cada vez mais para a internet. Incapaz de competir de igual para igual com as ferramentas interativas da rede mundial de computadores, a senhora televisão, com seus pouco mais de 60 anos no Brasil, parece sofrer com as mudanças tecnológicas surgidas nos tempos atuais. Porém, não faz muito tempo, era a TV a grande novidade no universo do entretenimento.

O surgimento da televisão no Brasil teve basicamente um único responsável: o jornalista, empresário e político Francisco de Assis Chateaubriand, dono do Diários e Emissoras Associados, conglomerado de empresas de rádios e jornais na década de 40. Chatô, como era conhecido, numa visita aos Estados Unidos, em 1944, ficara maravilhado com as inovações e possibilidades que um novo invento proporcionava ao entretenimento e jornalismo daquele país, e decidiu importar a novidade para o Brasil. Nos anos seguintes, gastando verdadeiras fortunas em equipamentos e contratando profissionais e artistas das diversas emissoras de rádio que comandava, Chatô celebrava em grande cerimônia o nascimento da televisão brasileira: A TV Tupi entrava no ar em 18 de setembro de 1950.

A pomposa novidade, todavia, se deu às custas de bastante improviso. São muitas as histórias que giram em tono da TV Tupi, algumas confirmadas por suas personagens, outras tidas como lendas. Uma delas diz que, ansioso por dar vida à inovação, Chateaubriand se esquecera de um detalhe: embora contasse com os equipamentos e estúdios para produção dos programas do futuro canal, ainda não existia no Brasil receptores para o sinal de televisão, tampouco televisores, ou seja, às vésperas da estreia não havia condições de se existir um público espectador. Assim, a estreia da Tupi corria o risco de não ser vista por ninguém! A solução, conta-se, saiu do próprio Chatô – do seu bolso, aliás – que importou os equipamentos e os consignou a cadeias varejistas de grande público, numa estratégia de divulgação da emissora e também do novo bem de consumo – o aparelho de TV.

Aos poucos a televisão foi se estabelecendo como veículo de comunicação massivo. Embora fossem necessárias décadas para que se tornasse acessível para as classes mais pobres, os aparelhos de TV tiveram uma adesão grande desde o início, sendo muito comum, até as décadas de 70 e 80, a audiência compartilhada em estabelecimentos comerciais e em locais públicos, que reuniam telespectadores vindos de vários lugares. Tamanho público só foi possível com o surgimento de novas emissoras, tais como a TV Record, em 1953; A TV Excelsior, em 1960; A Rede Globo, em 1965; e a TV Bandeirantes, em 1967.

Apesar da diversidade, porém, foi a Tupi a responsável pela criação da maioria dos gêneros televisivos presentes até hoje, tais como o telejornal – com o célebre Repórter Esso, que tinha como slogan "a testemunha ocular da história". Ao lado dele, o programa de esquete humorístico, como o Rancho Alegre, comando por Mazzaroppi; as telenovelas, muitas delas refilmadas posteriormente; os programas infantis; os programas de entrevista; os programas de auditório; de perguntas e respostas, etc.

Com a morte de Assis Chateaubriand, em 1968, a TV Tupi se viu imersa em disputas internas pelo controle das receitas de anunciantes e da grade de programação, o que contribuiu para o declínio da emissora, que perdeu seus artistas, profissionais e audiência para as concorrentes, até que, não honrando mais compromissos fiscais e trabalhistas, teve sua licença cassada pelo governo militar em 1980.

Pouco antes de completar 30 anos, a pioneira das televisões saia do ar.

Fonte: www.clickideia.com.br/

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Alimentação contra o câncer ?


Mesmo com muitas pesquisas na área, ainda não se sabe ao certo as causas dos vários tipos de câncer. Alguns cientistas apontam que eles ocorrem devido a uma predisposição genética. Outros apontam que a exposição a intensas radiações de diversos tipos podem ajudar a provocá-lo. Há ainda associações com o cigarro, bebidas alcoólicas e determinados hábitos de vida. Todos estes fatores realmente podem contribuir para o desenvolvimento dos mais diversos tipos de câncer.
 
Mas algumas vezes também se fala que o câncer pode ser evitado de uma maneira relativamente simples: apenas incluindo determinados itens em nossa alimentação. Isto ocorreria porque as diversas frutas, verduras, grãos e legumes, conteriam, em suas composições, moléculas que ajudariam a evitar este mal.
De acordo com a World Cancer Research Fund os 20 principais alimentos que ajudariam a evitar o câncer são: semente de girassol, cebola, alho, azeite de oliva, cenoura, brócolis, batata doce, kiwi, salmão, castanha-do-pará, pão integral, laranja, tomate, espinafre, repolho, manga, morango, pimenta, agrião e couve de Bruxelas.
Estes alimentos são conhecidos por conter vitaminas, e outros compostos antioxidantes.
 
Por exemplo, a couve-de-bruxelas, a manga, o repolho, o espinafre, a laranja e o kiwi, são fontes de vitamina C, um antioxidante natural. O ácido fólico está presente na couve-de-bruxelas, no espinafre e na laranja.
Os carotenóides estão presentes em todos os alimentos naturais de coloração amarelo-alaranjada, tais como manga, batata doce, pimentas vermelhas e amarelas e tomate. Estimulou a eficácia do medicamento contra câncer de mama chamado herceptina, que ajudou a prolongar a vida de muitos pacientes.
Se você não tem o hábito de ingerir estes alimentos, pode ingerir suplementos vitamínicos.
Outras substâncias consideradas importantes para a prevenção do câncer são a vitamina B, presente no agrião, no pão integral, no arroz e nos cereais, o ômega-3 presente em alimentos como salmão e atum, o selênio, encontrado na castanha-do-Pará e o ácido elágico, presente no morango. Ainda que esses resultados não sejam conclusivos com relação à cura ou prevenção de câncer, não há dúvida de que uma boa alimentação, nutricionalmente completa, é fundamental para a nossa saúde e bem estar!

Fonte: www.clickideia.com.br

Lingua Estrangeira: Os nomes de cidades se traduzem?

Imagem São Paulo, San Pablo ou Saint Paul?
Em aulas de língua estrangeira, muitos alunos possuem a dúvida, principalmente nas aulas iniciais, de como dizer o nome da cidade em que nasceu. Se a dúvida for de ordem fonética, o melhor é dizer o nome da cidade na forma em que é pronunciada na língua materna; mas outra dúvida surge: é possível traduzir o nome de uma cidade, seja em espanhol ou em inglês?

Na verdade não há um consenso sobre este tema. Porém, podemos elencar três possibilidades, conforme os casos conhecidos. A primeira delas é o uso de uma forma traduzida que se tornou popular por conta da dificuldade de se pronunciar o nome da cidade original. Esse é o caso de cidades como Kraków, traduzida como Cracóvia em português e Cracovia em espanhol, que em inglês permanece na forma original; de London, traduzida como Londres em português e em espanhol, e como Londra em italiano; de Wien, traduzida como Viena em português e em espanhol, e como Vienna em inglês.

Em segundo lugar, há a ocorrência de duas formas, uso esse mais comum em espanhol e em português europeu, pois a proximidade faz com que haja a forma mais tradicional (traduzida) e a forma original. O uso da forma original pode ser considerado um fenômeno atual, proporcionado por conta da rapidez de circulação e do intercâmbio que temos atualmente, seja por turismo ou virtualmente (Internet). Ademais, a forma original é usada em traduções feitas às pressas por jornais e agências de notícias, que às vezes não tomam o cuidado de utilizar a forma mais tradicional.

Imagem Havana, capital de Cuba - em espanhol, La Habana
Dessa forma é possível que haja, em espanhol, duas formas para BordeauxBurdeos, em espanhol, Bordéus em português de Portugal, sendo que no Brasil utilizamos a forma francesa. Entretanto, com a cidade italiana de Padova ocorre a presença tanto da forma original em italiano, como a sua tradução Padua, em espanhol; ou Pádua, em português. Exemplo semelhante é o da cidade sueca de Göteborg, traduzida em português e em espanhol como Gotemburgo, mas ambas as formas são frequentes em jornais e sites de Internet.

A terceira possibilidade é a existência de nomes que existiram historicamente, mas que hoje não são mais usados. É o caso de Bremen, cuja forma original é a aceita, apesar de haver existido a forma traduzida do espanhol, que era Brema. A tradução de Nürnberg, cidade alemã, cuja forma em espanhol e em português atualmente é Nuremberg, antigamente possuía uma forma mais distante, Nuremberga, hoje praticamente não usada.

Tradicionalmente, essa variação também ocorre na América Latina. As cidades brasileiras de Salvador, São Paulo e Manaus são traduzidas  para o espanhol como Salvador de Bahía, San Pablo (mais comum na Argentina) e Manaos; esse fenômeno também ocorre com a capital de Cuba, La Habana, traduzida para o português como Havana, e Assunción, capital de Paraguai, traduzida para o português como Assunção.

Imagem Salvador de Bahía: nome traduzido para o espanhol da cidade de Salvador, capital da Bahia
Porém, nos casos acima, a tradução ocorreu em favor de uma forma mais fácil de ser pronunciada; em casos como o de Buenos Aires, por exemplo, a tradução soaria mais estranha que o nome original, Bons Ares. Essa foi a opção para vários nomes de localidades americanas, que antigamente pertenciam ao território mexicano – manteve-se a forma original em favor de sua tradução em inglês. Nomes como Florida, Montana, Colorado, Nevada, Las Vegas e Los Angeles (todos em espanhol) seriam traduzidas para o inglês como Flowered, Mountain, Red Coloured, Snowed, The fertile valleys e The Angels. Manter a forma original foi também uma maneira de manter a referência histórica e cultural que esses nomes já possuíam – e que a tradução poderia apagar.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Os tênis de Maria Antonieta

Imagem Deliberadamente, a diretora Sofia Coppola deixou um par de tênis aparecer na cena em que Maria Antonieta experimenta uma série de sapatos. O problema é que, na época, ainda não existiam tênis, muito menos os da marca Converse (mais conhecida como "All Star" no Brasil), que só foi criada mais de cem anos depois, quando o basquete começou a se popularizar nos Estados Unidos
Quando se analisa a história da sétima arte e a produção de filmes como “Cleópatra” (1917), “O Encouraçado Potemkin” (1925), “Spartacus” (1960), “Apocalypse Now” (1979), “Titanic” (1997) e “Troia” (2004), dentre inúmeros outros, parece o caso de se concluir que o cinema sempre se atraiu pelos fatos memoráveis da humanidade. Os chamados “filmes de época” pretendem ser recortes parciais e estilisticamente trabalhados do real, elaborados com vistas a recontar o passado com base em textos que tangenciam o ficcional e o não ficcional. Tendo em vista essa frequente promessa de realismo, é curioso analisar o filme americano “Maria Antonieta”, de 2006, dirigido por Sofia Coppola e com Kirsten Dunst no papel principal.

Em determinada cena do filme, os espectadores mais atentos devem ter se assustado com a anacrônica presença de um par de tênis dentre os sapatos da rainha francesa. A cena é rápida e transcorre mais ou menos da seguinte maneira: ao percorrer o armário de Maria Antonieta, a câmera mostra um par de tênis - possivelmente da marca Converse All Star - em meio a dezenas de sapatos de época. O problema é que o filme se passa entre 1770 e 1789, mas os tênis só começaram a ser desenvolvidos ao longo do século seguinte. A própria marca Converse, mostrada no filme, surgiu apenas em 1917, época em que o basquete entrou na moda nos Estados Unidos.

Apesar de durar, aproximadamente, um segundo, a cena em que os tênis de Maria Antonieta aparecem no filme de Sofia Coppola causou enorme furor entre críticos e cinéfilos. Para muita gente, tratou-se de um inaceitável desrespeito para com o público. Menos ortodoxos, alguns expectadores imaginaram que a presença dos tênis tivesse sido um mero erro de gravação. Para outros, tudo não passara de uma estratégia publicitária chamada de “product placement”, mais conhecida, no Brasil, pela expressão “merchandising”. Também houve quem considerasse que a colocação dos tênis tivesse sido traquinagem da diretora. Nessa linha, a própria Sofia se pronunciou sobre o tema, reconhecendo que “Nós decidimos deixar o tênis em cena, você sabe, só para ter um elemento de brincadeira... É um universo adolescente... e, bem, por diversão... porque eu pude”.

Para o bem ou para o mal, o fato é que a película de Coppola conquistou o prêmio Oscar de Melhor Figurino, fato que, talvez, endosse o direito da sétima arte de ser anacrônica. Aos incomodados, os livros de história!